sexta-feira, 2 de julho de 2010

Behind



Regrettably, he plays with me in the palm of his hand.
With one word, he is the king of all people standing above.





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terça-feira, 22 de junho de 2010

O Lago



Extenso, profundo e velho, era o lago. Naquela tarde fomos até ele, meu pai e eu. Costumávamos passar por ele de vez em quando, em nossos passeios de bicicleta, por isso conhecíamos-no muito bem. Porém estava diferente naquele dia. Lembro-me perfeitamente, como o sol, lentamente adormecendo, refletia seus raios sobre a superfície da água, por entre o contorno preto dos morros mais atrás, formando um oásis laranja e corado sobre o nítido espelhar do lago, parecendo um universo paralelo, e no entanto, incrivelmente acolhedor.
Paramos, os dois, nas margens, esperando algum inexistente sinal ou apenas desejando que aquelas carícias cálidas e luminosas não tornassem a nos abandonar. Ele então, abraçou-me forte. Senti-me como que expelida de uma vida da qual eu era e sempre fui parte, e agora estava sendo arrastada para o mais longe dela. Tão perto dela, e remotamente, tão distante. Mais tarde eu perceberia  como aquele abraço inesquecível tornara-se a mais torturável lembrança em minha vida.
Caminhou em direção ao lago, e entrando em uma pequena canoa, remou à lentidão de sua solidão, para depois deixar a água afastá-lo aos poucos, enquanto eu observava o entardecer esconder seus últimos raios de luz...
Esperei por ele até o fim daquele dia. Assim como nos seguintes.
Mas ele nunca voltou.
       

Certo dia, após oitenta e dois anos, ainda a sua espera, parei em frente ao lago, já seco pelo tempo e coberto de capim. Algo me dizia para entrar, para buscar instintivamente por algo que eu esquecera até antão.
Chegando a uma área circular, onde o capim e a mata rebeldes não ousaram invadir, encontrei-o.
Apenas as madeiras envelhecidas do que uma vez fora uma canoa restavam ali, semi-enterradas na areia. Mesmo assim, eu sabia que ele estava ali. E soube disto mais ainda quando vi sua imagem à minha frente, esperando por mim.

domingo, 6 de junho de 2010

Arranque-me


Arranque-me das promessas,
Pois mentir não é jurar.
Arranque-me da espera,
Pois a ansiedade á de se apiedar.
Arranque-me dos beijos,
Pois contratos não quero assinar.
Arranque-me dos teus braços,
Pois só irão me sufocar.


Arranque-me da essência, do ar,
Pois a pureza irá me infectar.
Arranque-me da realidade,
Pois a loucura é meu lugar.
Arranque-me desta terra,
Pois as flores, com o tempo se vão.
Mas não me arranque desta maçã,
Pois o pecado é uma ilusão.








quinta-feira, 3 de junho de 2010

Você


Você sempre me procurou
Na escuridão, você nunca me achou.
Nos meus braços, compaixão você buscava,
Só encontrou o ódio que me alimentava.
Você queria de mim, um pedaço
Queria um doce abraço
Você ignorou minha pena,
Você, então, pisou no fracasso.
Você lutou com seus demônios
Esqueceu a realidade
Brincou com as palavras,
Você caiu na insanidade.
Nos altos dos morros, você subiu
No casto, e seco solo, esperei
Teu belo e alto esplendor,
Você riu, e o sol, então, surgiu.
Iluminou meu ser, meu todo
Penetrou seus raios em mim
Você me queimou, me incendiou,
Até agora, até o fim.




domingo, 23 de maio de 2010

A Luz, Por Trás do Escuro








Percebo minhas falhas, enquanto anseio por mais uma carícia nesta escuridão fechada e empoeirada.
Vendo uma folha ao chão, inclino-me até ela, e a seguro entre meus dedos. Suas finas leveduras fazem-me recordar de tristes memórias de um tempo passado, onde nem a terra, e nem o verde faziam parte deste mundo.
Volto a largá-la ao chão. É nesse instante que sinto naufragar em mares de desespero, procurando alcançar uma mão, que me é desconhecida.
Talvez seja ele? Penso. Mas volto a me conscientizar de que esse pensamento não me é permitido. Mais uma vez.
A folha, então, desaparecera. Carregada pela fria brisa que corre entre portas fechadas. A poeira estancada fora levada junto, deixando os azulejos do piso tão tentadoramente vulneráveis quanto minha vontade de chorar.
Atiro-me à ele, arranhando as pinturas numa tentativa inútil de abafar as lágrimas. E enquanto elas escorrem pelo meu rosto, fecho os olhos, retendo o último sopro que me resta desta vida.
É assim que acordo, segundos depois, entre lençóis suaves e acolhedores. E vejo seus olhos adormecidos. Sua mão estendida para mim. 







sábado, 8 de maio de 2010

O Estranho



Ele fixará seus olhos nos teus
Tomando para si, todo teu esplendor
Deliciar-se-á com o negro estrelar do céu
Enquanto observa o luar crescer,
Brilhando de ânsia e de dor.

Ele enrolará seus cabelos nos teus,
Inalando a fragrância na seda suave e macia
Ele aproximará seu queixo
Nas curvas nuas de tua nuca,
Aspirando a inocência de teu ser.

Brincará com suas cordas vocais,
Cantando a doce melodia dos anjos,
Oferecendo toda sua existência
Para afundar em seu mais prolongado eco
Para que quando o deixes,
Sintas a angústia, sua ausência.

Ele lhe tomará em seus braços,
Roubará teu hálito, arrancando-te deste mundo.
Provará o prazer violentamente,
Esvaziando-o até o fim, até o fundo.

Através dos bosques, entre as árvores
Passando no estômago até os calcanhares.
Ele bebe a seiva que tua veia faz correr,
Tu eres a razão do seu viver.




                                            
"[...]- Ali não tenho poderes. Entretanto...Madeleine foi criada. Você está livre.
- E você satisfeito - disse eu, retomando o autocontrole.- Não pretendo ser desagradável. Você me tem. Eu o amo. Mas estou mistificado. Está satisfeito?
- Como poderia não estar?- perguntou.- Claro que estou satisfeito."

(Entrevista com o Vampiro, Anne Rice)